lessphp fatal error: failed to parse passed in variable @bodyBackground: lessphp fatal error: failed to parse passed in variable @bodyBackground:  Papo de Mestre #12 - O que Elvis, terrorismo e o RPG têm em comum? - Abacaxi Voador

Papo de Mestre #12 – O que Elvis, terrorismo e o RPG têm em comum?


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A dança irreverente de Elvis Presley, ativou o ódio dos ignorantes, o que lhe conferiu o apelido de "Pelvis"

Quando Elvis Presley apareceu, não foram só flores. Houve tiro, porrada e bomba. Elvis fez coisas que desagradou os falsos moralistas. A população foi incitada e houve revolta. Mas será que todo esse alvoroço aconteceu por que os negros inventaram o ritmo musical, mas os donos de gravadoras precisavam de um representando os brancos? A resposta é NÃO. Não foi por este motivo, infelizmente. Elvis tinha uma voz divina, mas também um jeito todo especial de dançar, onde segurava a pelve e a mexia em movimentos circulares. O que era uma afronta para os “puritanos”. Ganhando o apelido jocoso de "Elvis, The Pelvis", ele foi perseguido, censurado, teve discos quebrados e boicote musical por certas rádios. Mas isso foi lá em 1957. A TV ainda era preto e branca. Porem, em meados de 1970, e isso foi há muito tempo, as pessoas já teriam “evoluído”, certo? Errado de novo. As pessoas ficam quietas enquanto nada abala o mundinho delas, digo, quando NADA fora da curva aparece para chacoalhar sua zona de conforto. Com o RPG não foi diferente.

E o que o RPG têm a ver com Elvis Presley? Nada que outras pessoas que sejam alvos cruéis da ignorância coletiva não tenham. O RPG se enquadra bem nesse aspecto. Impossível não lembrar do absurdo caso de um jovem universitário de 16 anos que em 1979 desapareceu. Sua família ficou sem notícias de seu paradeiro e a polícia não o encontrou. Como o jovem, jogava o “tal” do RPG, logo associaram seu sumiço ao estranho hobby. Em seguida, a polícia deferiu que ele provavelmente havia se suicidado em função de ter enlouquecido jogando Role Playing Game.  Houve um forte movimento contra esse jogo em que se personificavam cavaleiros e princesas, mas também diabos e demônios. A população ignorante, presenciando a popularidade deste jogo de demônios, não suportava ver uma juventude sendo “escravizada” por este mal: “Este jogo é coisa do diabo!” – esbravejava o pastor da igreja pentecostal, Pat Robinson, que levantou uma verdadeira cruzada religiosa contra o RPG.

As notas de jornal sobre o desaparecimento de James Dallas Egbert III motivaram a escritora Rona Jaffe a romantizar o caso de polícia. No livro, o rapaz desenvolve esquizofrenia e seu hobby que era jogar RPG, o ajuda um bocado nisso. O livro fora escrito às pressas, pois Rona tinha medo de que alguém romantizasse o caso do menino desaparecido antes dela, e o livro foi lançado em 1981. Um filme chamado Maze and Monsters, estrelado por Tom Hanks, é uma adaptação fiel do romance de Rona Jaffe, que foi lançado pela CBS em 1982. Assim como no livro, o filme mostra como o RPG era “maligno” na sua proposta de enlouquecer jovens que o jogavam – no mínimo, ridículo.

A capa do famigerado Mazes and Monsters - livro oportunista coloca o RPG na berlinda

A capa de uma das edições do famigerado Mazes and Monsters

Mas graças a todos os bons Deuses, de todos os panteões de todos os mundos do Dungeons and Dragons, a ignorância não conseguiu destruir o nosso querido RPG. A briga foi pesada, e nesse momento de sua evolução, resistiu como um guerreiro de nível um, que resiste a um dragão vermelho inflamado de cólera, mas que tirou seu número 20 no icosaedro. Afinal de contas, evoluiu do Chain Mail para o Dungeons and Dragons, o maior e mais popular RPG até hoje.

A ignorância é um gatilho perigoso. Ele dispara sem hesitar quando não entendemos ou temos medo de algo. E consequentemente, na sequência iremos nos empenhar em destruir essa coisa que não entendemos.  E quando não compreendemos algo.... bem, você já sabe. É um ciclo que se fecha. É uma simbiose. Não tem fim.

E então, se já sabemos que a ignorância e intolerância destrói e mata, antes de demonizar o que não entendemos, que tal tentar compreender primeiro?

Gostaria de dedicar este texto às todas as vítimas do terrorismo e de todas as tragédias, com ou sem intenção de matar.

De ambos os lados da moeda.

A ignorância leva ao Lado Negro da Força.

As pessoas precisam de amor.

O mundo precisa de compreensão.

Nós precisamos de PAZ.

Abacaxi Voador
HQzeiro. Cinéfilo. RPGista. Quando não está inventando palavras, está ajudando os amigos que fez no Abacaxi Voador redigindo, escrevendo e palestrando. Acredita que o Abacaxi tem um Q de "Sala da Justiça", e portanto acredita que tem super poderes.
  • Cristiano Lagame

    Acerta o título: metre > mestre

  • Cristiano Lagame

    Quando comecei a jogar, foi muito complicado. Teve mãe reclamando, professora da EBD reclamando e até pastor. Minha mãe deu meus livros pra essa professora e ela deu sumiço neles, até depois de adulto tive problemas. Foi obrigado a tacar fogo em alguns livros pra provar pra minha ex-sogra que eu não estava dominado pelo capeta através do RPG. Mas fui persistente e hoje tenho uma companheira que não somente aceita meu hobby, como também joga.
    Valeu a pena.

    • Rapaz! Que experiência hein!? Por mais que estejamos “esclarecidos”, ainda hoje vejo alguns grupos mais jovens sofrerem preconceitos, intolerância e ignorância, tanto de fora da família, quanto de dentro também. Eu mesmo tive muito problema com companheiras e namoradas. Quando passava um sabado inteiro ou um domingo inteiro jogando, elas não conseguiam aceitar e muito menos querer entender, então, neste ponto que abordou, sobre sua companheira, és um felizardo! Mas eu mesmo tive problemas quando era jovem com o fato de “sumir” de casa numa sexta de noite para jogar, varar as madrugadas do final de semana e retornar pra casa no domingo de noite… minha mãe pirava! Tive que ter muita paciência para mostrar e fazê-los entender como funcionava o jogo. Então comecei a promover jogos em minha casa, para trazer o hobby mais perto da minha família e eles constatarem o que eu estava falando. A galera fazia uma zona tão grande que minha mãe defereiu: “Tá bom meu filho, já entendi esse tal de RPG. Agora vai jogar na casa de algum amigo que vcs são muito baderneiros!” rsrsrs, mas nunca tive de queimar nenhum livro! Bizzar! A maioria dos jogadores já passaram por algum momento de intolerância com RPG, uma pena mesmo.