lessphp fatal error: failed to parse passed in variable @bodyBackground: lessphp fatal error: failed to parse passed in variable @bodyBackground:  Nerdicário - Revisitando o Documentário Império de Sonhos (Parte 11) - Abacaxi Voador

Nerdicário – Revisitando o Documentário Império de Sonhos (Parte 11)


A maioria dos fãs de Guerra nas Estrelas é de crianças. Mas havia pouco merchandising disponível poucos meses após a estreia do filme. Assim, Charles Lippincott, do marketing da Lucasfilm, entrou em ação.

Os famosos bonequinhos da Kenner Toys

Os famosos bonequinhos da Kenner Toys

As primeiras tentativas de licenciamento antes do filme tinham sido rejeitadas, mas a Kenner Toys aceitou a empreitada mesmo antes da estreia da película e sem acreditar muito em seu potencial, embora tenha lançado uma linha de brinquedos coloridos. Quando Guerra nas Estrelas se tornou um sucesso, todo mundo foi pego de surpresa e os pedidos explodiram. A Kenner não teve tempo de produzir tudo o que era pedido até o natal de 1977 e, então, teve a ideia de vender cupons que valeriam a retirada de um brinquedo na loja algum tempo depois. Essa ficou conhecida como a “campanha da caixa vazia”, onde você comprava a caixa e dentro tinha o cupom, escrito “adquira esse brinquedo em março”.

Mark Hamill lembra que ficou muito feliz quando viu seu rosto estampado numa caixa de cereal da Kellog’s ou em cards. O ator ficou com a ideia na cabeça de que deveria manter um porte atlético somente por causa dos tais cards. Carrie Fisher brinca dizendo que como vendeu sua imagem, ela precisa dar dinheiro ao George Lucas quando se olha no espelho. Fisher ainda se lembra que só se sentiu verdadeiramente famosa quando seu rosto saiu nas balinhas Pez, embora seja a Princesa Leia a real famosa na história. Mas Fisher enfatiza que deve toda a grana que ganhou com merchandising à ideia de Lucas de controlar isso.

Merchandising: Kellogg's

Merchandising: Kellogg's

Já o diretor queria também proteger a qualidade e integridade de sua visão da saga e isso era tão importante quanto ter independência financeira dos estúdios de Hollywood. O merchandising foi uma das formas que o ajudou a ter dinheiro para fazer mais filmes de Guerra nas Estrelas. A quantidade de ideias para novos produtos era enorme e nem sempre todas essas ideias eram aproveitadas por não estarem nos planos do pessoal da Lucasfilm.

No Oscar de 1978, Guerra nas Estrelas recebeu dez indicações e ganhou sete, incluindo o Oscar de efeitos visuais, som, edição e design de produção. Embora não tenha conseguido o Oscar de melhor filme, a indicação já foi um grande feito de Lucas. Além da aclamação da indústria através dos Oscars que recebeu, Guerra nas Estrelas foi um dos filmes que mais rendeu dinheiro na história do cinema. Lucas podia exigir o que quisesse dos estúdios. Logo, veio a continuação inevitável do filme e a chance de ficar totalmente independente do sistema de Hollywood. Lucas queria evitar que os grandes estúdios mexessem no roteiro e, então, ele mesmo financiou O Império Contra Ataca, sendo uma película totalmente independente.

Isso foi um risco, pois era regra geral não investir do próprio bolso para fazer um filme, mas o dinheiro do merchandising e o sucesso do primeiro filme encorajaram Lucas a financiar a sequência por conta própria. Com o lucro, Lucas fez um empréstimo no banco para fazer o filme seguinte. O orçamento original de O Império Contra Ataca era de 25 milhões de dólares, mais do que o dobro de Guerra nas Estrelas. Ralph McQuarrie e Joe Johnston faziam as ilustrações para o próximo filme enquanto Lucas trabalhava no roteiro. O elenco original seria novamente aproveitado e a história dessa vez se aprofundaria no lado emocional dos personagens.

Merchandising: Pez

Merchandising: Pez

Lawrence Kasdam, roteirista, disse que ficou feliz com a ideia de Lucas de que o roteiro não seria uma repetição de Guerra nas Estrelas e abordaria uma visão mais sinistra, onde tudo de ruim aconteceria com os heróis. O romance entre Leia e Solo também seria enfocado. Só que, dessa vez, Lucas não seria o diretor. Em suas palavras, era muito difícil montar uma empresa, conseguir dinheiro, fazer o filme e estar no set todos os dias dirigindo. Lucas então contratou Irwin Kershner, seu antigo professor. O velho diretor inicialmente não aceitou, temendo que, por causa do sucesso de Guerra nas Estrelas, a continuação não conseguiria estar à altura em virtude da inovação do primeiro. Mas, ao conversar com o seu agente, Kershner somente ouviu: “Está louco? Faça isso!”. Havia 64 sets para o novo filme, muito mais do que o filme anterior. E Lucas disse a Kershner que o segundo filme tinha que ser muito melhor, maior e complexo que o primeiro, pois se o segundo não desse certo, será o final da saga. Agora, se ele der certo, mais filmes poderão ser feitos. Isso deu uma sensação de insegurança em Kershner, em virtude da enorme responsabilidade.

No próximo artigo, continuaremos falando da produção de Império Contra Ataca. Até lá!

Carlos Lohse
Consumidor compulsivo de cinema, sua sina de assistir tudo que pode, veio com a versão de Metrópolis de 1984 do Giorgio Moroder, apesar de sua paixão mesmo, ser o cinema mudo. Astrônomo, historiador e professor, agora tem uma nova missão: desmistificar e contribuir para o universo do Abacaxi!