lessphp fatal error: failed to parse passed in variable @bodyBackground: lessphp fatal error: failed to parse passed in variable @bodyBackground:  Papo de Mestre #05 - Que tal jogar uma partida de RPG com Tom Hanks, hein? - Abacaxi Voador

Papo de Mestre #05 – Que tal jogar uma partida de RPG com Tom Hanks, hein?


Enfrentar hordas de goblins fedorentos e ferozes bugbears, chacinar kua-toas desprezíveis no Underdark e depois dar conta de um dragão esmeralda e um beholder, recuperar o tesouro, resgatar a princesa, livrar a vila da tirania dessas criaturas do mal e ainda pendurar uma rodada de hidromel na taberna para toda a sua galera de aventureiros e também o....Tom Hanks!? Uau! Quão incrível seria uma coisa dessas!?

Então senta aí que lá vem!

Tom Hanks enfrenta o terrível Gorvil, vil criatura do Labirinto da Caverna

Tom Hanks enfrenta o terrível Gorvil, vil criatura do Labirinto da Caverna

Era uma vez um cara tímido, um tanto enrustido, que partiria em breve para a faculdade e foi advertido pelos preocupados pais para "não jogar esse tal de RPG, porque era um jogo, digamos, estranho... e perigoso". Esse cara, nosso amigo Tom Hanks, vê um anúncio em um papel colado em um quadro de "procura-se". É um chamado para ser integrante de um jogo chamado "Maze and Monsters" - algo como 'Labirinto e Monstros', traduzindo ao pé da letra e, óbvio, um plágio de Dungeons and Dragons. Jay Jay, um peculiar rapaz que usava um chapéu bem estranho, observava Tom e prontamente se apresentou como aquele que convocava mais um integrante para fechar a mesa de jogo.

A princípio, o lúcido Hanks não aceitou, lembrando da advertência de seus pais sobre os perigos que este jogo guardava. Jay Jay então insistiu que fosse a uma festa no grêmio para conhecer o resto dos amigos. Hanks, aceitou.

Chegando lá, Tom Hanks descobre que havia uma mulher jogando com o grupo - Uuuuu-HUL!, deve ter pensado - afinal de contas, havia menina! Kate o convenceu dizendo para que ele não se preocupasse, que eles jogavam isso mas "não eram viciados" e blá-blá-blá... Para tudo. Não estou aqui para contar o filme todo e ser acusado de escritor 'spoilerento' (apesar deste filme ser de 1982), mas sim para dizer que todo começo é difícil e não foi diferente para o recém nascido D&D. Este filme trata o nosso querido hobbie como algo perigoso, viciante e extremamente nocivo à saúde (bem, de uma certa maneira até é, caso você considere que se apenas fizer isso na sua vida correrá o perigo de tirar notas baixas na facul, se viciar vai perder a namorada pro Ricardão e sua saúde vai pro saco caso jogue 18 horas a fio à base de Doritos com Pepsi e noites insones - mas você não faria nada disso, certo? Certo. ;-P). Maze and Monsters é um filme triste e absurdo. O tal do Jay Jay por exemplo, é um pirado que a cada cena está com um chapéu diferente. Na festa, para falar sobre o assunto, precisam cochichar como se estivessem fazendo algo de muito errado e que ninguém pudesse escutá-los dizer.

Hanks conhece Kate na festa. Os integrantes do grupo de RPG mencionam o jogo às escondidas como se fossem integrantes de uma seita

Hanks aceita jogar com o grupo e o filme transcorre nesse ritmo até que eles acham uma caverna perfeita para realizar um "live action" (que significa uma sessão de jogo mais estilizada, onde existe um tom bem mais teatral e normalmente os jogadores estão vestidos a caráter e interpretam seus personagens à risca, contracenando uns com os outros). Sobre a ideia de jerico: É claro que essa caverna estava interditada, é claro que a porra da caverna é um labirinto sinistro e é claro que vai dar merda, cacete! Até que um dos jogadores, justamente nosso amigão Tom Hanks, diante da narrativa do "Maze Controller" (uma espécie de Mestre do Jogo), alucina dentro do lugar e passa a ver Gorvil, uma criatura que assemelha-se a um dragão e é puro mal!

Já fora da caverna, no dia seguinte, seus amigos estão preocupados com Tom. Preocupação fundamentada quando Hanks, que não consegue mais sair de seu personagem santo (pois é um monge), termina com sua namoradinha - sim! ele traçou a mocinha que fazia parte do grupo de RPG quando ainda estava bem da cuca. A desculpa foi: "não lhe era mais permitido fazer sexo com ela, pois a religião dele não permitia" - assim como a do seu personagem.  A mulher reage extremamente frustrada com a seguinte frase, sem tirar nem por: "Eu não acredito que isto está acontecendo! Isso é exatamente como da outra vez. Deja Vu!". Peraeeeewww! WTF!?  Oi!? Quer dizer então que Kate, no grupo passado, namorou um cara que jogava como um Ranger e a trocou por um Troll da Floresta ou um outro cara que jogava como Paladino, que não podia ver uma bela donzela indefesa que parava de "comparecer" e que isso SEMPRE acontecia com ela!? Isso mesmo? Ixiii...

Tom Hanks perde a sanidade no psicodrama a que se transforma esta campanha de RPG

Tom Hanks perde a sanidade no psicodrama em que se transforma esta campanha de RPG

O filme é ruim. Em alguns momentos chega a ser constrangedor. Assisti a este filme sozinho, mas de vez em quando olhava para um lado...depois para outro...depois encarava o filme de novo, mas C-H-E-I-O de vergonha alheia. Ridículo. O ator de sucessos em começo de carreira como Quero Ser Grande e Splash, Uma Sereia Em Minha Vida não merecia um filme desses no currículo. Deixando o emocional de lado, tudo que criticamos deveria ser observado junto do seu contexto cronológico, histórico e social. Ou seja... Back to the 80´s! No longínquo começo dos anos 80, o RPG era um jogo obscuro, utilizava uns dados esquisitos e em seus livros tinham uns bichos feios meio demoníacos, e jogado por "gente" nada popular. Pronto. Estavam aí os ingredientes para algo explosivo. Como atestou o pastor pentecostal Pat Robinson que levantou uma bandeira contra o RPG: "Coisa do diabo".

A verdade é que 40 anos depois, Ozzy Osborne, o filme O Exorcista e o jogo Phantasmagoria, são coisas pro meu filho de nove anos. Os tempos são outros, as pessoas são outras, o mundo é outro. Os estereótipos caem e máscaras se racham quando qualquer um  nos dias de hoje alvejar o RPG com críticas maldosas e propaganda negativa como em Maze and Monsters. Basta lembrar daquele caso em que um ator galã de uma conhecida emissora de televisão não conseguiu sair do seu personagem e elaborou o assassinato na vida real de sua contraparte amorosa na novela. Se Maze and Monsters correspondesse à realidade, estaríamos cheios de atores psicopatas matando de verdade por terem representado uma personagem ruim, vil e doentia.

O RPG seria algo nocivo, perigoso e quase criminoso como o filme propôs? O que você acha disso? Comente no post e dê sua opinião! Continuem escrevendo emails!

Tom Hanks, Kate e Jay Jay... um desses jogadores jamais será o mesmo após uma aventura de Maze and Monsters

Tom Hanks, Kate e Jay Jay... um desses jogadores jamais será o mesmo após uma aventura de Maze and Monsters

 

Abacaxi Voador
HQzeiro. Cinéfilo. RPGista. Quando não está inventando palavras, está ajudando os amigos que fez no Abacaxi Voador redigindo, escrevendo e palestrando. Acredita que o Abacaxi tem um Q de "Sala da Justiça", e portanto acredita que tem super poderes.